31 Mar 2008
Onde estão os meus olhos verdes?

Onde estão teus olhos
Agora que tô bem na foto
Agora que achei o foco
Onde estão teus olhos
Sem eles não existo
Fico cego invisível
Queimo o filme rasgo a foto

Onde estão teus olhos
Agora que domei a fera
Agora que a dor já era
Onde estão teus olhos
Sem eles não existo
Fico cego invisível
Só enxergo o silêncio

Juntos para sempre
Objeto e observador
Física moderna
Velhas canções de amor
Onde estão teus olhos
Onde estão teus olhos
Longe deles nada existe

Onde estão teus olhos
Onde estão teus olhos
Longe deles nada existe

Por Nancy | 12 Comentários


14 Mar 2008
A beleza está nos olhos de quem vê.

Hoje já é quinta-feira, desse mês que quase nem existiu no meu modo e mundo temporal. Um dia treze. Devo estar completando dezessete anos e alguns meses que nem eu mesma lembro e, nem faço questão.

Estou ouvindo Grieg em seu “Espírito da Noruega”. Amo Grieg com unhas e dentes, assim como Bach. No entanto, Grieg desperta em mim criaturas de boa índole com seus mistérios. Uma bondade quase fantasiosa. Uma fantasia. E não, não me fiz maestrina para descobrir que Grieg é pura fantasia de bosques Europeus. Bach, nem sei o que dizer a respeito... Não me agrada muito Bach quando quero ser essência. Bach é tão frio e suas notas rígidas como o gelo me deixam assustada. Com uma vontade arrogante e imensa de ser superior, um raciocínio quase absurdo. Por isso ouço Bach quando preciso estudar Exatas.

Até agora está tudo comum. Tudo nos eixos e seus lugares. Ainda não desperdicei meu talento estudando qualquer matéria que não fosse Física. Eu adoro Física, minto, adoro Relatividade. Não porque seja grande entendedora, a graça está justamente no: eu não entendo Relatividade. Não entender o que me cerca já é o início para uma paixão arrebatadora... Amo o que não conheço, por isso nem me permito tanto; temo acabar com cigarros e uísques na mão. E por falar em paixões, prometo caro leitores, prometo que estou me desvinculando daqueles “olhos verdes”. Já nem sinto tanta dor, sinto um pequeno ódio nascendo dentro de mim. Eu não gostaria de regar esse ódio, temo o que posso fazer. Mesmo porque, seria contraditório odiar um alguém que presumi amar tanto. Já vi inúmeros seres humanos agirem de tal maneira. Como não sei ser de nada e tão pouco humana, farei as coisas com mais cautela e lógica a respeito desse assunto.

Esses dias têm sido divertidos. Voltei para o nobre e caloroso aconchego dos amigos, os verdadeiros, claro. Sem superficialidades, verdades ditas na lata, sem cerimônias ou regras de etiqueta. Como odeio as etiquetas! Os bons modos e maneiras... Não me daria bem com ingleses, exceto pelo chá.

Por Nancy | 2 Comentários


10 Mar 2008
Novembro...

Uma escrita indefinidamente indefnida, que remete a uma tarde fria de inverno. A criança dos longos cabelos negros correndo atrás da bola vermelha, buscando aquilo que de mais precioso tinha, e que ia, ia... Quicando rumo ao infinito, para longe dos pássaros em galhos secos, para longe de tudo que existia ali.

Mais tarde voltara e, talvez, uma simpatia e um reencontro. Imagens tão distorcidas naquela cabeça juvenil. Um dia para uma noite não preparada, mas lembrada. E a fuga valera à pena. Valera porque sentia-se naquela lua quase cheia, um brilho vulgar de nuvens que passavam. Sentada poderia passar horas, com estrelas tão brilhantes. Por que lembrar se é para esquecer, Deus? Por que chamar o nome se essas palavras deveriam calar? Uma lágrima tão sutil... E o vento lhe trouxera um beijo gostoso, daqueles que só sabia sentir antes. Era frio como gelo, era saudade. Buscava tanto num olhar, numa madrugada qualquer que fosse, em qualquer cidade que era. Oh, pois, são confusas as minhas palavras que nem eu mesma entendo! Mas são tão cheias de sentimentos, sentinelas. Acariciadas por um passado sutilmente tenebroso. E a inocência... Por que nem tenho raiva? Uma raiva intensa, um ódio rompido, qualquer outra coisa, menos isso. Essa divagação de que algo um dia realmente exisiu, sendo que nem sabia. É tão difícil sentir aquilo que nem sequer tem nome, mas é tão fácil lembrar de um único nome! Nome! Nome! Deveria esquecer aquela palavra tão profana, mãe de um filho morto... Se me perguntassem para que servem essas mãos que escrevem, diria tão sutil e verdadeiramente que uma lhe acaricia os lábios, o rosto, como da última vez... A outra, acena adeus, com um sorriso e a esperança de que tudo, mas tudo, irá voltar...

Por Nancy | 3 Comentários


02 Mar 2008
Diálogo: o fim da estação

Durante tanto tempo, fiquei a mercê de tantas coisas, dançando na chuva com a minha própria solidão, feito criança. Fiquei tão sem mim e sem nada ou norte. Vazia de quase tudo, eu era um quase nada. E todos poderiam olhar e ver que eu era perfeita e detinha coisas que não deveriam ser minhas. Até sorria para um bom dia, até dizia um bom dia.

Viajando em templos de lugares que nunca fui, uma inimaginável visita ao passado. Algo que jamais poderia existir. Oh, por que tanto tempo... Sinto-me tão apagada do seu amor, Amor. Ele parece não existir mais, parece ter se diluído nas minhas delicadas mãos. Eu pareço não sentir mais aquela coisa que sentia; hoje apenas sinto um carinho todo especial por você, mas não chega a ser amor.

Olha, você me desculpa pelas palavras, porque realmente nunca fui muito boa com elas; talvez seja melhor cada um ir para o seu lado, eu já não quero sofrer com toda essa história. Não quero dançar na chuva sem o brilho dos teus olhos verdes. E me desculpe se cito-os tanto, é porque são belos e irradiam a jovialidade que eu, mesmo tão jovem, não tenho.

Eu deveria ser mais jovem, foi isso que você quis me ensinar? Ser tão despreocupada e pura? Obrigada por devolver aquilo que era meu, fico grata e feliz. Mas eu não sei... Eu sempre digo que não e olha, quando eu olho essas estrelas, a primeira coisa que lembro, a primeira pessoa que me vem a mente é você e um dia de uma árvore qualquer. Você vai me desculpar, mas agora eu preciso dizer adeus porque já são onze horas, onze horas...

Por Nancy | 27 Comentários


23 Feb 2008
Para Regina

Ah, se tu soubesses ainda o quanto te admiro e que até hoje eu me inspiro na sua sabedoria para o meu viver. Que sua presença foi marcante, sua alegria de contagiar a mente perturbada de conflitos juvenis. E eras a mais doce, a mais bela, a mais linda donzela que a ciência conheceu. Era a estrela, era a Dinâmica da vida e o pêndulo que oscilava no meu coração. Era mágica e o brilho contagia, ainda percorre os trilhões, zilhões de anos-luz a minha espera. E essa esperança me ilumina e faz com que eu prossiga a lembrar-te sem saber, mas por querer. Ainda sigo na humildade, de minha pouca humanidade, ainda brilhas em mim! Regina, se pudesses descrever que por toda a minha vida amei você, já mais saberia, leria, entenderia. Ainda te fazes aqui e ressuscitas como fênix das cinzas da Inércia. E me pego a resolver, coisas que a mente um dia há de entender, e te vejo nas letras, números, fórmulas e fim. Posso vê-la, em descrevê-la, posso ver a descrever o prisma lindo de raios incidentes com feixes paralelos. E vejo nas lembranças momentâneas, aquelas ligações orgânicas, que poderiam ser nossas. E aquela agitação de moléculas constantes, aquela temperatura de fazer cores vibrantes, ah, pois, vou chorar sim! Posso sentir a penumbra da sua ausência, posso lançar-me verticalmente aos teus pés, posso encontrar-te nas passagens, nos brilhos de intensas imagens, na Mecânica que um dia prossiga retrógrada ao teu encontro...

Por Nancy | 30 Comentários


15 Feb 2008
16/02: três meses

A dúvida é fruto do excesso de opções, isso não tenho dúvida. Sempre seguindo e pensando em que coisa escolher, assim ando a viver. Tenho pena de quem nenhuma dúvida tem, de quem vive para o que pensa agora e que não muda, nunca. De quem não escolhe e se deixa levar por coisas tão incertas da vida. De fato, sou assim, mas ainda cultivo no meu íntimo, as minhas opções de ser, de ser humana. Detestaria acordar e simplesmente “ser” uma coisa só, uma coisa de todos os dias, que é daquele jeito por falta de ser. Adoro ter em mim os meus jeitos e humores, o meu senso peculiar de humor... A minha personalidade melancolica e saudosista mesclada a um certo fervor de juventude. Sou velha e nova, sou várias coisas numa mesma criatura. E já disse isso.

Hoje me pego a escolher. Minhas escolhas são baseadas naquilo que sinto. Se hoje escolhi A porque estava triste, amanhã escolherei B por pura felicidade. Sou inconstante. Mas voltando, o que escolher? O que se é certo por parecer certo aos nossos olhos cegos ou escolher certamente o incerto que nada garante, prevê? O meu incerto tem nome e hoje ele faz oito meses. Oito meses. Nesse vai e vém, nessa incerteza certa. Sei que poderia parecer estranho aos olhos mortais, mas estou contente assim e, se mudar um dia, que seja por amor ou uma decisão de capricho. Eu amo quem está ao meu lado. Mas quem está ao meu lado? Nem eu mesma sei, nem eu mesma o conheço. Ele é tão imprevisível como eu, tão inquieto como as folhas vermelhas do meu outono... E aqueles olhos tão arregalados e verdes, que parece perder-se nos meus. A gente se perde de uma forma tão única, tão exclusivamente estranha. Aquelas idéias, as nossas “conversas cabeças” e infantis ao mesmo tempo. Eu sei que não poderei levá-lo para o resto de minha vida, eu sei. Mas preciso viver isso que estou sentindo, preciso tocar para que um dia, um dia de um futuro tão próximo, quando ele partir, eu ainda me lembre em imagens e memórias. Em vidas. E quando estiver sentada olhando o mar, lembrar sempre daquela frase confortante, daquele abraço de fortes braços e a voz nos meus ouvidos dizendo: eu vou para onde você for... para sempre...

Zeca Baleiro - Quase Nada

De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei

Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho?

Será um atalho?
Ou um desvio?
Um rio raso?
Um passo em falso?

Um prato fundo?
Pra toda fome
Que há no mundo

Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada

De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei

Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho?

Será um atalho
Ou um desvio?
Um rio raso?
Um passo em falso?

Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo

Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada


Por Nancy | 4 Comentários


04 Feb 2008
Esquece!

Aflita, sem a mínima obrigação de ter inspiração. Insípida e volúvel. Assim estou queridos. E oh, sem abalos. Sem grandes acontecimentos. Apenas o capuccino e o cigarro na mão esquerda, sem apologias, claro. O cigarro na mão esquerda é clássico e ontem o Thii disse: “Você fica tão sexy fumando”. E realmente fico. E realmente sei disso. Sexy não seria o meu estado agora... Moletom, casaco de lã, meias e chinelo largo. O óculos para descanso e sem um pingo de maquiagem. Muitos ficariam assustados ao ver a fêmea fatal assim.

E olha, a minha tarde estava divertidíssima com esse tédio apático. Estava até esboçando um sorrisinho. Estava até pensando em largar de vez o cigarro. Mas não, tinham que me ligar, malditas ligações. Eu odeio telefonemas e, se você um dia quiser me irritar, ligue aqui. Mas não, com a minha santa paciência atendi. Nem mandei dizer que estava ocupada ou algo do gênero. Atendi. E ah, ledo engano. E me disseram que estavam com ELE, e que ELE dormiu com todo o pessoal e que EU perdi tudo. E que ELE perguntou por MIM.

E eu comecei a gritar escandalosamente: o que EU tenho a ver com isso? Que tenho a ver? Gritei, gritei e gritei. Depois minha mãe perguntou se estava louca, não, não estou louca. Gritei porque não queria mais saber. Logo em seguida liguei para a minha psicóloga Jéssyca e ficamos discutindo questões inutilmente indiscutíveis. Eu jamais poderia imaginar que ela me diria: ah, você perdeu, deveria estar lá! Oh, por que as pessoas sempre me fazem lembrar DELE? Eu sei que ELE gosta de mim e eu sei que EU gosto dele. Mas este relacionamento não pode existir gente. ELE é punk, bêbado e drogado e EU sou futura Engenheira de alguma coisa, não dá para conciliar isso! Nunca, nunquinha!

Eu sei que eu guardo as fotos e as letras das músicas da banda dele até hoje. Mas foi só um amorzinho juvenil de inverno, e com todo aquele frio, ele foi embora. E se ele aparecer na minha frente implorando qualquer coisa, eu vou ser forte o bastante para resistir aqueles olhos verdes e dizer: não! Num ar de indiferença. Eu sei que vou sofrer por dentro, mas vou ignorá-lo. Eu preciso fazer isso, infelizmente...

Me leve para sair esta noite
Onde exista música e pessoas
Que sejam jovens e vivas
Dirigindo no seu carro
Eu nunca quero ir para casa
Porque eu não tenho mais uma casa

Me leve para sair esta noite
Porque quero ver gente
E eu quero ver luzes
Dirigindo no seu carro
Oh por favor, não me abandone em casa
Porque esta não é minha casa, é a casa deles
E eu não sou mais bem-vindo

E se um ônibus de dois andares
Batesse em nós
Morrer ao seu lado
Que jeito divino de morrer
E se um caminhão de dez toneladas
Matasse nós dois
Morrer ao seu lado
Bem, o prazer e o privilégio são meus

Me leve para sair esta noite
Oh me leve para qualquer lugar, eu não ligo
E numa passagem subterrânea escurecida
Eu pensei "oh Deus, minha chance finalmente chegou"
Mas então um estranho medo me tomou e
Eu simplesmente não pude pedir

Me leve para sair esta noite
Oh, me leve para qualquer lugar, eu não ligo
eu não ligo, eu não ligo
Apenas dirigindo no seu carro
Eu nunca mais quero ir para casa
Porque não tenho mais uma casa
Eu não tenho mais

Há uma luz que nunca se apaga...


[Edit]
Ahhh! Coleção Melissa 2008
Reparem a Hello e a Severine. E eu quero outra Seduction! Eu já tenho uma Seduction, mas não desta cor! Ahhh!
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Por Nancy | 6 Comentários


25 Jan 2008
Uma noite: solo

Sabe quando percebe que erra? Oh, que se erra, que se era... Eu não quero mais saber e hoje eu senti isso. Não gostaria mais de sentir. Mas senti algo bem maior que eu mesma, é como se visse aquelas cenas e emergisse de mim aquela mesma sensação daquele dia... E eu realmente percebi que não era somente algo que iria passar, perdura. Eu tentei esconder e esquecer o que sentia, eu tentei! Menti a mim mesma, fui tão superficial como qualquer outra coisa. Hoje me fez ver, hoje eu vi que meus olhos sempre procuram os seus, porque é segurança, é porto seguro... E que minha alma, independentemente de tudo, sente a sua falta. E tudo o que se fala, pensa é sobre você, é para você. Eu senti aquilo novamente e oh, perdoe-me por não voltar atrás. Eu senti aquela sensação e toda aquela brisa, aquele céu, fez com que eu lembrasse que ainda estava tão vivo em mim. Era como se o seu amor renascesse como fênix das cinzas da minha solidão. Eu desejei milhares de vezes rever o seu lindo olhar de olhos verdes, o seu doce e meigo riso de criança, as suas mãos leves que respeitavam as curvas do meu corpo frágil. Das suas piadas que não tinham a menor graça e hoje me vejo na pior desgraça por não conseguir sorrir mais. Eu vou sair agora, eu sinto que preciso corrigir o meu passado, eu sinto que preciso dar um basta em toda essa aflição, essa agonia. Por que ainda não me contentei com o que vejo? Por que ainda gostaria que o tempo voltasse? Hoje me fez ver. E ver o que? Ver e perceber que você era insubstituível, que você é insubstituível e que, se não lhe ter for o caminho, prefiro não ter ninguém.

Para lembrar o meu amor
Ao meu querido e eterno Kdsh

Prometo tornar os seus dias primaveras
Trazer-te flores, as mais belas!
Que enfeitem e encubram suas tristezas, melancolia...
E façam com que no verde dos teus olhos reluzam alegria!

Prometo amar-te como quiser
Divina será a tarefa de te cuidar o quanto puder!
O amor que nutro por ti em seu coração plantei...
Com os meus cuidados, por toda eternidade, cultivarei.

Prometo honrar estes versos, prometer e cumprir!
Farei de tudo, qualquer loucura, para te ver sorrir
Dedicarei-me a você com toda intensidade
Pois te digo: este amor ultrapassa a imensidade!

Prometo, por enfim prometer, me despeço...
Tentei expressar este amor, este universo!
Mas que adianta? Dar-te estas dádivas, estrelas...
Seria tolice! Já que não te tenho e você nunca poderá entendê-las!


Por Nancy | 12 Comentários


23 Jan 2008
Nada além

Deu um nó! E a sua vida, que era sua e era vivida, parou. Agora o tempo é seu e ele é a sua pior realidade, pois um dia passa. E você passa a não perceber e conter para satisfazer o que antes fora seu. São alguns meses, mas parecem anos! Foram duas vidas entrelaçadas no mesmo tempo. Era tudo tão impreciso. Agora ele exige uma decisão. Por que optar? Por que não optar? Tudo parece um simples jogo. Mas tão complexo. Eu estou falando do tempo, para parar e ver, para sentir, crescer...

Cresça! Saia deste lugar doce flor de setembro. A sua primavera reinou tanto em mim que poderia esperar outra e outra e outra primavera! Oh céus, quantas primaveras... Veja o tempo, já são 17 as suas que não são suas. Você jamais poderia pará-lo... Eu poderia sim, porque sou eu e tudo o que sou, sou por inteira, nada me faz falta... Nada mais!

Oh, por que mente tanto Joana? Para conter o que? Um pingo de não-sei-o-quê? Joana, por que é assim? Oh, não digas assim de mim... Deve ser um sinal, um farol aceso em uma praia qualquer. Sabe ao que isso me remete e lembra? Ora, a minha parte mais sensível, o meu eu tão solitário e vazio. Um abraço e adeus. Uma praça e várias luzes. Um grito, uma risada, uma saudade...

Por que habitas em ti esse lamento que tormenta os dias pobre Joana? O que vês ainda não lhe é suficiente para que possas deixar as borboletas amarelas voarem? Por que prendes em ti a vontade inexplicável, o desejo desumano de possuir o que não é seu? Por que não deixas partir Joana? Aquela vida não é sua, aquele momento não fora seu doce flor... Sabes quem o viveu por inteiro intensamente? A Nancy, àquela Nancy que tanto repudia e odeia...

Oh, não me faças isso, fora eu, fora eu sim! De quem era a pureza ser que me fala? De quem eram os risos e os olhares mais ternos e sinceros que alguém poderia dar? Joana viveu sim aquela vida... Joana também sabia do que pensava e a quem pensava. Joana também viu brilhante as luzes da cidade grande, Joana também entendeu o que era aquele sentimento, Joana também foi abraçada por aquele abraço de doces braços que não volta mais.

Joana também viu as coisas se mexerem e ofereceu uma bala de melancia, a sua favorita. Oras, quanto delírio pobre criatura! O que passastes não lhe é suficientemente doloroso? Insosso? Não vê mortal, que eu sou eu em forma de mim mesma, sou Joana a verdadeira e, era sim de Joana as esmeraldas. As esmeraldas eram de Joana e, sabe bem onde ela as guardou? No cofre forte da vida, do tempo parado, do tempo que não pára, guardou onde sequer penetra as rugas do tempo, guardou na memória, na memória...

Por Nancy | 3524 Comentários


18 Jan 2008
Desapego

Lembrei-me de ti, quando beijara teu rosto de homem, devagar, devagar beijara, e quando chegara o momento de beijar teus olhos - lembrei-me de que então eu havia sentido o sal na minha boca, e que o sal de lágrimas nos teus olhos era o meu amor por ti. Mas, o que mais me havia ligado em susto de amor, fora, no fundo do fundo do sal, tua substância insossa e inocente e infantil: ao meu beijo tua vida mais profundamente insípida me era dada, e beijar teu rosto era insosso e ocupado trabalho paciente de amor, era mulher tecendo um homem, assim como me havias tecido, neutro artesanato de vida.
Clarice Lispector - A Paixão Segundo G.H.

Aprendi com o meu erro, meu sarcasmo com a vida, minha inversão e fascinação com as mentiras, aprendi com o contar das horas, com a falácia da multidão que tanto me observa. Aprendi com as perdas, com as noites em claro, com os dias cinzas e com a morte de uma coisa que nunca tive. Aprendi com as decepções, com os castigos severos impostos a um corpo que mal existia em matéria, era todo de espírito e pureza. Aprendi sozinha e, por ser pura, a não aprender mais, não acreditar e não chorar. Aprendi por necessidade a não te ter, desejar; aprendi, por receio de amar, a te ver sem querer, a diferenciar, a nem notar. Lembrei que deveria te odiar e, a cada dia, esquecia de te esquecer e te lembrava em forma sutil, em forma de riso, verdade. Oh, amava-te por me fazer rir, nunca ninguém no mundo tinha me feito rir tanto, pessoas que me fazem rir são especiais. Mas, aprendi a te banalizar, a te esquecer, mas me envolvia mais e este amor, que agora se faz imenso, consome os meus dias, consome as horas. Não gostaria de amar tanto! Hoje invejam a vaguidão dos meus olhos, dizem ver neles mundos, estrelas e dispersões de sentidos; mas não há! Há nos meus olhos, a eclosão de minha alma e minha alma chora, grita e delira! É mentira o que os outros vêem, é mentira! Meus olhos choram sem lágrimas, sorriem sem felicidade e abrigam sentimentos que nem eu sei, representam o vazio por ter que aprender e, por não querer, a te esquecer. Ah, como te amo, me ensine com o seu riso, me ensine para que eu possa aprender e deixar que você se vá...




Tears For Fears - Goodnight Song
Aqui no palco
Chegou a hora
Com os acordes de "Be My Angel",
De tocar Rock em dois por quatro
O tempo pode manter vivo
Aquele velho canto do cisne
Que nós estamos eternamente tocando
Até a época em que talvez seja certo dizer adeus
Minha voz está doendo
Estou sem fala
E os sons que estamos fazendo são assim:

Canção de boa noite, cantada tão mal
Culpe a multidão
Eles gritam tão alto, por tanto tempo

Consiga alguma honestidade
Pegue o melhor de mim
E então desfaça-se do resto
Em toda situação com sua fúria incansável
Saia de sua gaiola
E deixe o verdadeiro tolo aparecer
O verdadeiro tolo aparecer
Deveria ter ficado por perto para quebrar o gelo
Pensei sobre isso uma ou duas vezes
Mas nada jamais muda
A menos que haja alguma dor


Por Nancy | 5 Comentários


14 Jan 2008
Elevation!

Elevação! Creio que seja isto que estou procurando nos últimos dias. Talvez uma elevação intangível, mas tão merecedora... Tão impossível e benéfica. Não sei porque coisas assim existem. Na verdade eu deveria dizer mais, mas não posso. Restrinjo no aqui e agora. Hoje eu reli as cartas... Ah, que saudades! Bom, chega de posts que quase ninguém entende, exceto eu.

Hoje eu criei o “Elevation”. Na verdade recriei. A idéia original era da Mary, quando nós ainda tínhamos o DDP. E antes que me perguntem novamente, sim, eu sou a Manson e sim, eu sou dona do Damas de Preto, que por fim e por falta de tempo tive que deletar. Mas layout shop é o que bem tem na internet e creio que a maioria das pessoas já saibam fazer seus próprios templates. Mas então, voltando ao Elevation, ele será um concurso-avaliativo com o intuito de avaliar, aperfeiçoar e premiar blogs. Ele terá somente trinta inscritos, para que eu possa avaliar calmamente todos os blogs.


Elevation


Hoje a Jéssyca e o Júnior vieram aqui em casa. Eles brigam mais do que conversam. Eles se gostam e ainda não sabem. Ontem eu fui para casa da Ste e nós jantamos miojo (de praxe), tomamos caipirinha que o Bigão havia feito e fumamos Arguile. Eu sei que isso já ta ficando monótono. Ontem revi a única PM-Punk que eu conheço (Litha) e a gente decidiu que a F.F.N. (minha antiga gangue-banda) não existirá mais, porque ninguém está nem aí. Fora que a F.F.N. já havia me causado certos problemas... Ela marcou role com os punks de SP para sábado, eu só quero ver. Mas até que é bom, tô precisando conhecer gente nova.

Ah tem tanta coisa, preciso ligar para tanta gente, reencontrar pessoas... Dia 28 as aulas recomeçam e eu ainda não decidi o que fazer da minha vida. Meu pai disse que eu estava transcendendo e ficando adulta, mas aí vi que não era tão fácil e parei. Realmente, eu parei de tentar querer ser adulta. Chega. Vou assistir algum DVD que eu ganho mais :D. Tchau para vocês e boa segunda-feira.

Por Nancy | 7 Comentários


10 Jan 2008
Por que?

Você nunca entenderá aquela magia, aquela fotografia, aquele momento... Porque nunca viveu! Eu parei o tempo para que pudesse observá-lo, senti-lo. Você nunca entenderá o céu estrelado, pois não esteve sob o manto perolado naquela noite de sexta-feira. Sentada como se nada quisesse, não sentia frio por estar envolta por uma camada de ternura mesclada ao desejo insano de estar para sempre ali. Oh, quantas saudades! Hoje eu mais uma vez vi aquele nome que me faz lembrar aquilo que um dia já tive e, por algum motivo, por algum acaso que nem importa, perdi. Você sabe o que é um rosto de adeus? Você sabe? Ah, responda! Aquele rosto de adeus, foi a última vez que o vi. Isso já faz tantos anos no meu tempo-espaço. Porque tudo é relativo e não vivo de contar coisas em números, mas em experiências. “Eu lhe odeio”, dizia. “Pode dizer quantas vezes você quiser, eu gosto tanto de você”. Por que mentias? Por Deus, por que mentias? Oh, por que fez isso comigo? Seria eu tão indigna, tão merecedora de um alivio, de uma distância, de uma muralha tão cruel para aquilo que sei que é vivo ainda? Olha, cuidado com os carros, quase fomos atropelados! E tantas risadas... E tantos faróis acesos... E tantas pessoas olhando e imaginando que era a melhor coisa da vida. E realmente era, aquilo era a melhor coisa da minha vida...

Eu que falei: "nem pensar..."
Agora me arrependo, roendo as unhas
Frágeis testemunhas
De um crime sem perdão

Mas eu falei sem pensar
Coração na mão, como refrão de um bolero
Eu fui sincero
Como não se pode ser

Um erro assim tão vulgar
Nos persegue a noite inteira
E, quando acaba a bebedeira,
Ele consegue nos achar

Num bar
Com um vinho barato
Um cigarro no cinzeiro,
E uma cara embriagada no espelho do banheiro

Teus lábios são labirintos...
Que atraem os meus instintos mais sacanas
O teu olhar sempre distante sempre me engana

Teus lábios são labirintos...
Eu sigo a tua pista todo o dia da semana
Eu entro sempre na tua dança de cigana

Teus lábios são labirintos...
Que atraem os meus instintos mais sacanas
E o teu olhar sempre distante sempre me engana
E eu sigo a tua pista todo o dia da semana

O que eu falei foi sem pensar...
Foi sem pensar.
Engenheiros do Hawaii - Refrão De Bolero


Por Nancy | 4 Comentários


08 Jan 2008
São tolices que penso sobre você...

O que está acontecendo? Que foi aquilo que senti, que foi aquele sentido? Ah, que embaraço, confusão... Não deveria, ah, ah, ah, como esquecer? Voltei aqui, olhe aqui. Procure bem aqui, em mim. Será que eu deveria voltar para casa ou esquecer de todas aquelas coisas e seguir em frente? Não, não há mais tempo e você ainda diz que não lembra de nada... Isso não faz sentido, não tem razão e eu vou caindo dentro de algo que não existe. Lembre-se assim, vamos, lembre-se, veja eu posso tocar o seus lábios novamente, oh, posso sentir. Que foi aquela sensação de volta ao passado que não volta? O campo... O grande campo com a árvore central, o que ela quer dizer? O jardim... O grande jardim, o que nós sentimos lá? A Terra coberta por estrelas, eu na Terra coberta pelo seu abraço que estava coberto por estrelas que estava coberto por coisas que não possuem nome, mas existem. Que foi aquela fragilidade? A vontade de não se deixar apagar, o sentido íntimo de tudo aquilo que passou, a certeza de saber da sua incerteza que você nem sequer lembra. Foi verdadeiro o choro do banco da luz apagada do abraço gentil? Foi pena de ver e querer esquecer o que foi para você e não existiu para mim? Foi ódio rompido, amor iludido, paixão sem sequer saber de ver e crer, que assim existe? Ah, eu sei... Eu bem sei! Eu mesma sei. O medo de perder, a vontade de ser para que não se fosse, o teatro de cena da cena que vai do sorriso vago do banco que andava assim “vai vai, que ótimo sorriso”. O olhar terno daquele olhar meu de olhos tão verdes que seguia e prosseguia ao meu encontro de nublados sonhos. Que andava e fim, que assim, que nunca mais vi para simplesmente ser nunca mais. E ficou fotografado aquele olhar, na mente que girava e cantava, o bracelete que ficará eternizado e as flores de sangue, daquela letra, do papel que pensei ser último, mas que não foi. Da despedida, da despedida, da despedida que despediu a vontade, que acordou do sonho para a minha triste e solitária realidade... sem você...

Por Nancy | 3 Comentários


07 Jan 2008
Momento não-sei

Retorno ao passado, em um lapso, colapso de memória e revejo coisas que já vivi. Isso me deixa tão... nostálgica. Ultimamente tenho me isolado bastante das pessoas, não ando muito capaz de conversar conversas de criatura humana. Ando meio desnorteada, sem rumo de ir e vir, sem planos de antes ou perspectivas para depois. Ando simplesmente vivendo, como se da vida nada quisesse levar. Na verdade, viver seria algo forte demais para o que tenho presenciado ultimamente... Tenho existido somente e existir não é viver, até mesmo pedras existem. Preciso conversar constantemente com os “eus” que existem dentro de mim e que, particularmente, não são poucos. Essa solidão, esse silêncio repentino e remoto, esse isolamento quase constrangedor se faz necessário, eu sei. Já passei por situação assim. Não significa que eu goste de não conversar ou ser sozinha, mas também não odeio, permaneço simplesmente indiferente. Tudo isso se faz necessário para crescer. Permanecer sozinha é uma forma de “meditar” sobre os acontecimentos desses últimos anos, revê-los em realidade ilusitória e lapidar erros passados. Sim, lapidar. Não se é possível consertar erros, concordam? A transição exige o silêncio do mundo e a voz (somente) das criaturas que habitam dentro de si. E nessas horas, parada e pensante, revejo tantas coisas... É algo constante. É feliz o que vejo. Oras, já vivi coisas tão fantásticas (por mais incrível que possa parecer) que poderia viver até aqui, poderia me contentar e viver só com esta parte da vida. Mas não. Eu quero mais, existe uma outra vida que eu ainda não conheço e preciso viver, para relembrar como esta agora.

Ah, consegui chegar a um estado de concentração tão profunda que um simples ruído estragaria tudo. O que não consegui, ainda, foi decifrar se tudo o que fiz fora certo ou errado. Bom ou mau. Isso não consigo identificar. Será que foi bom ter te conhecido? Será que foi ruim me isolar tanto das pessoas para simplesmente me conhecer? Isso seria errado? Eu não sei, ainda não desenvolvi a capacidade de julgar coisas abstratas. Estou meditando para aprender e tentar um dia. Tentar o que? Nem eu mesma sei. Eu pretendo tentar tantas coisas e eu prefiro mesmo tentar, porque não-tentar é o mesmo que se deixar ir. Não posso deixar nada ir, não posso deixar nada, mais nada, para amanhã. Porque amanhã e depois é a mesma coisa e, depois, pode ser nunca mais...

Por Nancy | 4 Comentários


03 Jan 2008
Saudades das esmeraldas

"Oh, aquele frio... O vazio do peito, o violino tocando, o vazio do peito. Sabe como é o vazio? É uma sensação de vitória misturada à angústia da perda. É falta de equilíbrio, falta de nada dentro de si. Falta de tudo. Falta de alguém. Nada que posso tocar, que posso sentir assim com mãos, ou que posso possuir, ou ainda que possa usufruir quando bem entender, me trará felicidade. Me trará estabilidade. Ser estável não significa ser feliz. A felicidade pode estar na inconstância das coisas. Tudo que pouco move, nada é. [...] Daquele caos sentido, gerou-se a ordem, uma ordem tão profunda e grande. Uma ordem gloriosa, porém, banhada de uma tristeza que não era bem tão triste, era saudade..."

Primavera se foi
E com ela meu amor
Quem me dera poder
Consertar tudo o que eu fiz
O perfume que andava
Com o vento pelo ar
Primavera soprando
Pra um caminho
Mais feliz
Mais feliz

Pois a rosa
Que se esconde
No cabelo mais bonito
É um grito, quase um mito
Uma prova
De amor!

Primavera se foi
E com ela essa dor
Se alojou no meu peito
Devagar
A certeza do amor
Não me deixa
Nunca mais

Primavera brilhando
Em seu olhar
E o olhar
Que eu guardo
Na lembrança
Ainda traz a esperança
De te ter
Ao meu ladinho
Numa próxima
Estação!

Primavera se foi
E com ela meu amor
Quem me dera poder
Consertar tudo o que eu fiz
O perfume que andava com o vento
Pelo ar
Primavera soprando
Pra um caminho
Mais feliz
Primavera!
Primavera se foi
(mais feliz)

Por Nancy | 3 Comentários


01 Jan 2008
Joana

A felicidade já é uma farsa descarada. O que se tem, é uma auto-satisfação em ser maior e estar no topo por possuir coisas. Mas isso não tem sentido algum. Descobri, sozinha para variar, que devo seguir o meu próprio caminho e esquecer de todas as coisas que um dia já existiram, para tudo doer menos. Isso é questão de inteligência. A frieza é uma virtude. Essa não aceitação provoca o que eu chamaria de qualquer coisa menos sentimento de gente. Sabe o que foi? Na verdade, o que não foi. Era para ter sido, há um bom tempo atrás, mas não foi não foi não foi. E isso é algo que incomoda muito. Mas eu já nem ligo, é essa a verdade. Eu finjo que ligo só para ter com o que me importar, mas eu sempre tenho a certeza de que se, eu retornar, voltar, vai despertar aquela coisa que eu não consigo controlar e eu vou me render de braços e abraços para aquilo que poderia ter sido, sim, poderia... 2008 e minha versão Joana está chegando...

Por Nancy | 0 Comentários


30 Dec 2007
Navegar é preciso, viver é impreciso...

Tudo na vida é uma eterna decisão, que vem acompanhada daquela indecisão desejada e assustadora. As coisas mudam sempre e o tempo passa rápido demais para se perceber o quanto ele é precioso. Todos andam devagar e, às vezes, você reencontra o passado neutro que estava quase se diluindo da sua vida. Todos ainda caminham... E tão só. Solidão. Você ainda parada, pensando de tudo um pouco, aquilo, aquele... As paisagens parecem não estar mais, ficaram fixas em um lugar distante, que você não alcança. Eu poderia dizer as coisas com mais clareza, mas não consigo. É tudo tão confuso, complexo e cheio de imagens que eu nunca entendo. Você poderia dizer qualquer coisa e eu também, mas isso já não faz sentido. Vou sempre retroceder os sentimentos, para sempre lembrar e lembrar e lembrar. E uma saudade tão infinita me toca e eu começo a escrever sem um começo ou fim coerente. Parece sonho. Parece uma história que eu nunca vivi. Mas eu já vivi! E ah... Ah, agora eu deveria lamentar, mas nem isso consigo. Eu pareço ter bordas e o meu corpo parece estar envolto por uma camada tão fria, que me faz solitária. Mas não ligo. Eu vou seguir, preciso de um tempo, preciso do meu elemental, preciso... preciso... de... Preciso de tanta coisa, mas o que eu gosto mesmo é gostar de precisar. Na verdade, eu nunca preciso. Não sei porque tento sempre preencher esses vazios com pétalas de rosas secas. Eu sempre tento isso, sempre, sempre...

Foi tudo de ontem. Eu poderia dizer mais sobre a minha vida, dizer sobre eu e mim, dizer o que faço ou deixo de fazer. Mas isso parece tão pequeno perto do que eu realmente sinto. E eu sempre sinto tanta coisa, eu nunca consigo ficar sem sentir. E não é tristeza, talvez muitos pensem e pasmem com “depressão” ou coisas do gênero. Devo confessar que sou uma pessoa, de fato, muito feliz e completa com as coisas que possuo. Tristeza, assim como felicidade é um estado. Estados são caóticos e quase sempre ilusitórios. A permanência dos estados das cosias é única verdade de que conheço. Sou feliz e a minha felicidade é uma permanência. Mas acontece que uma vez ou outra, sou consumida por visões entorpecidas de coisas que não sei. É uma sede de um sentimento, é um sentido insano que ainda não domino. É a vontade de reorganizar coisas organizadas. É a mudança, transição, só não digo transcendência porque é demais. Eu pareço necessitar de algo que ainda não existe e isso que sinto não possui nome. É abstrato demais para a minha limitada inteligência humana. Não sou inteligente o bastante para compreender o que se passa dentro de mim mesma. Existe algo em algum lugar que eu não sei que me faz falta. E eu sinto saudades do objeto ou sensação que nunca vi ou experimentei. Sinto falta, e muita. Que diabos é isso que sinto falta? Eu penso tanto, eu procuro sempre saber, mas nunca sei. Gostaria de parar de sentir o peso dessa ausência que dói em mim. Essa ausência que na verdade nunca esteve presente, mas marcou tanto, petrificou e passou a ser uma parte abstrata de mim mesma, que corre e vaga. Mas um dia ainda vou reencontrá-la...

Por Nancy | 0 Comentários


PERFIL.
Uma pessoa que tem um nome, um telefone e um cachorro. Que chora, que rí, que "dá loucura" e que sente calor nos dias de verão. Que frequenta uma escola e sai com os amigos. Que adora crianças e histórias intermináveis de pessoas vividas. Enfim, um ser humano.